quinta-feira, 9 de junho de 2011

De volta para o passado

Tenha um coisa em mente: mulher não esquece. De nada. Nunca. Elas são capazes de guardar diálogos inteiros durante décadas para, no momento oportuno, reproduzi-los com fidelidade seguido da famosa “não se lembra?”. Óbvio que não se lembra. Também são excelente guardiães de promessas. Prometa uma única coisa para uma mulher — qualquer coisa, de comprar um cachorrinho quando se casarem a amá-la para sempre — e ela o cobrará pelo resto de sua existência. E dependendo da mulher, cobrará com juros.

Isso porque mulheres são bichos apegados ao passado. Você se lembra daquele seu colega pentelho da 4ª série que uma vez encheu seu estojo com cola? Óbvio que não. Mas ela sabe até o número do CPF da então melhor amiga que durante a excursão da pré-escola ao zoológico jogou sua tiara de estimação no recinto dos hipopótamos. Homens têm memória seletiva, mulheres têm memória acumulativa — e, aparentemente, de capacidade ilimitada.

Essa característica de se lembrar de tudo faz das mulheres indivíduos com uma perigosa tendência revisionista. A menor abertura é suficiente para que elas decidam que o seu passado — que é basicamente aquilo que te forma — precisa ser reformado, refeito, reescrito, ou, pra simplificar, deletado.

Embora saiba que o que importa é dali por diante, uma mulher nunca vai aceitar, por exemplo, que o seu parceiro mantenha qualquer tipo de contato com uma ex-namorada. “Ex boa é ex morta”, ela decreta, estendendo esse pensamento a roupas, objetos de decoração, fotos e até rolhas que remetem a uma antiga relação. Se ela pudesse, abriria sua cabeça para apagar qualquer vestígio de mulher anterior a ela, no melhor estilo Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças.

Não chega a ser mania, é uma obsessão. Mulheres são obcecadas com o passado romântico de seus homens. Não estão nem aí pra onde você cresceu, em que escola estudou, as bancas onde ia trocar gibis ou figurinhas, os campinhos onde jogou bola, quem foram seus parceiros de Serviço Militar, os carros que já teve, nem quantos prêmios Nobel já ganhou. Isso tudo é mero detalhe ante a descoberta do rastro de uma ex.

E não estamos falando de batom na cueca. Estamos falando daquela primeira namoradinha que você teve aos, sei lá, 13 anos, a amiga gracinha da sua prima, que ia passar as férias de julho na casa dos seus tios e por quem você arriscou versinhos inspirados em letras da Legião Urbana. É isso que ela quer extinguir. Não importa o quão inocente, doce e insignificante possa parecer pra você esse episódio da sua vida. “Ex boa é ex morta” é um decreto, uma lei a ser cumprida.

Por isso a necessidade da omissão. Não mentira, mas omissão. Homens escondem certos lugares de suas almas para evitar que sejam sanitizados — pois eles serão, podem ter certeza, se houver oportunidade. E sem piedade. Para uma mulher que já domina o presente e o futuro de seu homem, o passado é uma questão de tempo.

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